Não sei se sei exatamente o que eu quero, mas eu quero muito.

da saudade e outras coisas
16/11/2009o que é saudade comparado à sensação que tenho agora?
A sua inevitável ausência em meus braços,
a falta que fazem seus lábios nos meus,
seu jeito inseguro, seu sonho maduro, nossos passeios noturnos…
Já vivi, já senti coisas parecidas assim, mas nada tão forte…
nada tão simples e nunca tão leve.
E te levo, te levo comigo. Bem dentro, inteira.
Em cada esquina que dobro, em cada canto que canto.
Nos sonhos que acordo querendo mais sonhos,
Te quero, te prezo, te espero.
Todo dia um dia a mais, todo dia um dia a menos.
Te peço, apenas seja você e, se puder, também seja minha.

alomorfias no corpo do lexema
19/10/2009Olhando agora pra tudo o que já foi,
concluo que nada valeu a pena,
E ao mesmo tempo tenho saudade de quase tudo.
Vem a sensação de que tenho um buraco negro no estômago toda vez que penso no futuro.
O que eu vejo são invariáveis variando
Perto, pertinho, nunca, nunquinha…
Literatura se escreve com as mesmas letras de um cardápio
E o dia amanhace mesmo no horário de verão.

em tudo.
16/10/2009Em tudo que existo ainda sou,
Se ainda és aqui o nada mais que o tudo
Venho a ti pra pedir
Um pouco mais do que jamais deste a outro.
Antes e depois estarei ali
Do lado que quiser
Nem a frente, nem atrás
Juntos, como um.
Assim, para sermos mil, milhões.
Ainda que em dois,
Talvez em mais…
Os dias de sol,
Os dias de chuva…
Cada escolha agora representa o que seremos
E nos tornará mais e mais
Por todo sempre, sempre será,
Seremos o que fomos e o que quisermos.
Pois, minha vida começou quando começamos,
E não termina no meu fim
Sei que teremos dias e noites assim
E assim serão por falta ou por êxtase
Nem por eu nem por você
Nem o mais e nem a falta
Só o que te mostro, só o que sou
E sou todo, inteiro teu.
Mesmo que não veja e não sinta
E ainda que insista em não querer,
Ainda assim, ainda assim..
Estou e estarei por ti
Ainda assim muito mais por mim
Pois, só sendo eu, serei teu…
Serei pleno

cinema…
14/10/2009talvez eu devesse mudar de sala, sair da vala,
cair na água pra lembrar como é prender a respiração,
alguma forma estranha de provar pra si mesmo que ainda há vida.
Esse corpo sustenta algo além de carne e osso,
algo que sente o medo ir embora, vê o rumo saindo do prumo.
Pintando coisas no teto daquela casa escura onde vivíamos,
cores sobrepostas em tons de amarelo mostarda com azul claro.
Aquela boca vermelha cor de sangue vivo fumava um cigarro muito longo.
Carro, estardalhaço, vidros quebrando, tudo estragado.
Vinhos de qualidade duvidosa em cima das mesas da sala-de-estar.
Em cada beleza há sempre uma tristeza que não passa,
como um choro que não vem com a vida que se tem,
como o bisco que comeu a rainha e levou xeque-mate do cavalo.
Uma avenida iluminada por ideais efervescentes,
uma embarcação de vírgulas mal usadas tristonhas desafia asteriscos.
A imagem continua fora de foco mesmo depois que os letreiros sobem.
FIM

eu não, prefiro assim.
13/10/2009Tento escrever mas não consigo, como se não conseguisse transpor em palavras as coisas do dia-a-dia. O reflexo de tudo que escrevo está exatamente no que vejo, não sei se agora os dias é que são iguais ou se sou eu quem vê sempre a mesma coisa.
Eu, ao contrário, tenho a sensação de que nada vejo. Cansei de esperar que algo arrebatador que arraste pro seu lado torto. Sinto melhor as coisas do mundo quando estou triste e isso é engraçado, Também há graça na própria tristeza.
Sonhos desprovidos de sorte acabaram, diluíram como café instântaneo no leite, nunca mais serão sonhados assim, acordados. A força devastadora do fim levou tudo com ela e deixou marcas.
[na vitrola: Los Hermanos - Morena]

pra agora ou já
13/10/2009Começar um blog é algo meio maluco, não?
Essa é a quarta vez que começo um, interrompendo, transferindo ou matando o antigo. Dessa vez é mudança sedentária, pra unir os dois blogs do wordpress que “quase” participo.
E também pra ver se assim, animado com este novo espaço, volto a escrever com maior frequência.
E, antes de tudo, porque mudar é preciso, andar por outras ruas, dormir em outras camas, ouvir outras músicas e seguir.
É um senão de urgência, das coisas que são necessárias ontem, aquelas que nos fazem falta hoje e não temos certeza se a teremos amanhã. Coisas que seriam muito melhores se acontecessem hoje mesmo.
Aquele beijo que ainda não foi e quer ser agora ou o aque le que já foi equer ser de novo. Aquela dança que precisa de par pra já, antes que acabe.
Praquelas noites que passamos sozinhos querendo companhia pra já…